8 de fevereiro de 2009

sonhos de vida comunitária


Monticiano (Toscana)

Rir é o melhor remédio

A não perder:

PORTUGAL/ITÁLIA versus EUROPA

1 de fevereiro de 2009

30 de janeiro de 2009

«As minhas rosas vermelhas e amarelas abriram-se completamente. Enquanto eu estava lá no inferno, elas foram florindo lentamente, e muitos dizem-me: "Como é que numa altura destas tu consegues pensar em flores?"»



Etty Hillesum, num campo de concentração.

27 de janeiro de 2009

25 de janeiro de 2009

Aceitar a chaga de solidão que é a nossa condição humana

Ognuno, nel profondo del suo essere, deve imparare ogni giorno ad assumere la propria solitudine.
C'è in effetti nel cuore di ognuno di noi una ferita, la piaga della propria solitudine che si rivela particolarmente nel momento dei fallimenti, ma soprattutto in quello della morte. Non si fa mai questo passo in comunità; lo si fa da soli. E ogni sofferenza, ogni tristezza, ogni forma di depressione è un saggio di questa morte, una manifestazione di questa piaga che è nel profondo del nostro essere, che fa parte della condizione umana. Perché il nostro cuore assetato d'infinito non può mai essere soddisfatto nei limiti che sono sempre segno di morte. È per questo che è costantemente insoddisfatto. Ci sono di tanto in tanto dei tocchi d'infinito nell'arte, la musica, la poesia; ci sono momenti di comunione e di amore, momenti di preghiera e di estasi, ma questi momenti sono sempre di breve durata. Si ricade subito nelle insoddisfazioni causate dai nostri propri limiti e da quelli degli altri.
Solo quando si sia scoperto che il fallimento, le depressioni, i nostri peccati stessi possono divenire offerta, materia di sacrificio e quindi porta verso l'eterno, si ritrova una certa pace. Solo quando si sia accettata la condizione umana con tutti i suoi limiti, le contraddizioni, la ricerca appassionata di felicità, e si sia scoperto che le nozze eterne verranno come un dono dopo la nostra morte, solo allora si ritrova la fiducia. (...)
Se non fuggiamo più da questa solitudine, se accettiamo questa piaga, scopriamo che attraverso questa realtà noi incontriamo Gesú Cristo. Quando smettiamo di fuggire nell'iperattività, nel rumore e nei sogni e ci fermiamo in questa ferita, incontriamo Dio. (...)
Quelli che entrano nel matrimonio credendo che la loro sete di comunione sarà così dissetata e la loro piaga guarita non saranno felici. Nello stesso modo, quelli che entrano in comunità sperando di colmare il loro vuoto, di guarire, saranno delusi. Solo se abbiamo compreso e accettato questa piaga, e se vi abbiamo scoperto la presenza dello Spirito Santo, troveremo il vero senso del matrimonio e il vero senso della comunità. Solo quando resto in piedi con tutte le mie povertà e le mie sofferenze, e cerco più di sostenere gli altri che di ripiegarmi su me stesso, solo allora posso vivere pienamente la vita comunitaria e la vita del matrimonio. Solo quando smetto di credere che gli altri siano per me un rifugio, io divento, nonostante tutte le mie ferite, fonte di conforto e di vita, e scopro la pace.

(da La comunità, Jean Vanier, pp. 225-226)
"Tudo é coincidência ou nada é coincidência. Se eu acreditasse na primeira hipótese, não conseguia viver, mas ainda não estou convencida da última"


(Etty Hillesum, 15 de Junho de 1941)

24 de janeiro de 2009

Chamem-se ingénua... mas isto deu-me esperança

Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo.
(…)

Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; (...) à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz.
Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.
Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco (...).
E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.
Barack Obama, 20 Jan '09

22 de janeiro de 2009

2008 em fotos











Cliquem aqui, aqui e aqui para ver antes de esquecer (como sempre).


18 de janeiro de 2009

O mundo é um moinho - Cartola

Não era minha intenção entrar em 2009 com um espírito nostálgico...
Mas esta música do Cartola, que de facto deve ser das mais tristes do mundo, merece mesmo ser partilhada.
E de vez em quando instala-se em mim um medo pegajoso deste refrão e preciso de o exorcizar, tornando-o público.

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés



17 de dezembro de 2008

O valor do Direito: caso da Raposa Serra do Sol

Paulo César Quartiero é um agrônomo gaúcho que emigrou a meados dos anos 70 do extremo sul para o extremo norte do Brasil (...), adquirindo fazendas por uma extensão total de cerca de dez mil hectares, situados na Raposa Serra do Sol (RSS), território indígena; um território desamparado frente a esse tipo de invasões.
Reconhecidos os direitos indígenas pela Constituição de 1988, demarcada e titulada a RSS provisoriamente em 1993 e de forma definitiva em 2005, (...) Quartiero se converte no líder da frente anti-indígena (...). Em maio de 2008, foi preso sob a acusação de possuir explosivos e manter grupos armados que haviam assassinado pelo menos dez indígenas e destruído as propriedades de muitos outros. Também é acusado de corrupção política por recorrer à compra de votos para aceder a cargos públicos no Estado de Roraima. (...)
Quartiero, com o respaldo incondicional do Estado de Roraima, consegue catalisar um forte lobby no qual participam pessoas ligadas ao jurídico, à universidade, à política e à polícia. Organizam-se conferências nas quais as autoridades de todas essas áreas explicam que a demarcação do território indígena atenta contra o direito do Brasil ao desenvolvimento e prejudica os próprios "índios" porque os separa da "civilização"; que um território indígena fronteiriço constitui um grave perigo à "soberania nacional", colocando em risco a integridade do Brasil; que tanto os antropólogos, quanto as organizações não governamentais converteram-se em outro perigo contra o direito e os interesses brasileiros; que a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas responde a uma conspiração internacional para debilitar os Estados emergentes da América Latina; (...) etc. A ofensiva cultural e política é forte em Brasília ante os poderes federais. Na Câmara dos Deputados formou-se uma Frente Parlamentar de Apoio às Forças Armadas na Amazônia, que não oculta os vínculos com os interesses dos fazendeiros invasores dos territórios indígenas.
A frente jurídica recorre também ao Supremo Tribunal Federal (STF), conseguindo a paralisação das iniciativas de organismos federais, como o Ministério de Justiça, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), para sanear a RSS de invasões e ocupações. (...)
A parte indígena também opta pela via do direito e não pela da confrontação primariamente buscada por Quartiero e seu grupo. O STF se converte em um árbitro entre todas as partes, com aceitação também indígena. A questão torna-se fortemente polêmica para os onze membros do STF, provocando marcadas discrepâncias em seu seio. O ministro relator, o constitucionalista Carlos Augusto Ayres de Freitas Brito, assumiu o caso com tal interesse, paciência, dedicação e estudo que, contra prognóstico, vai conseguindo formar uma maioria favorável à parte indígena. Na audiência pública do dia 10 de dezembro manifestou-se a consistência dessa opinião que já pode, com segurança, ser considerada como a que será formalizada como sentença, que será ditada somente em 2009. E, por primeira vez na história, uma advogada indígena, Joênia Wapichana (Joênia Batista de Carvalho) atuou diante do STF.
(...)
Quartiero, por seu lado, não se mostra disposto a tornar as coisas fáceis para a execução da sentença. Suas declarações imediatas: "Lutamos para que a questão da demarcação fosse julgada, mas o resultado não foi o que esperávamos". E apressou-se a manifestar que não aceita: "O voto dos magistrados foi um voto rancoroso contra os produtores, contra os proprietários agrários, contra o Estado de Roraima; foi um voto ideológico, mais preocupado pelo politicamente correto do que pelos fatos". Abriga, todavia, a esperança de uma mudança: "A crise econômica está alcançando o Brasil e isso vai desmascarar o desgoverno, o ambientalismo e a desnacionalização". E gira, finalmente, do descaramento para a ameaça: "Não podemos continuar com situações tão vexatórias como a de acudir ao Supremo Tribunal Federal para que ser tachado de invasor, assassino de índios e destruidor da natureza"; "digo aos produtores que os problemas nunca vão acabar se não reagirmos. Hoje, são os índios", como amanhã, agrega, "serão outros". Já se vê aonde apontam em primeiro lugar as ameaças. Amanhã, dá a entender que os índios não estarão. O impulso é claramente genocida.
(...)
Bartolomé Clavero *
Publicado em Adital
Tradução: ADITAL


* Membro do Fórum Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas

14 de dezembro de 2008

13 de dezembro de 2008

Preanúncio de vitória para a Raposa Serra do Sol!

A 10 de Dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil retomou o julgamento sobre a Raposa Serra do Sol, iniciado em 27 de Agosto. Dos 11 Ministros do STF, 08 votaram ontem e todos apoiaram a manutenção da terra indígena Raposa Serra do Sol nos termos da Homologação de 2005, isto é, em área contínua (e não em ilhas, como propunham os arrozeiros). Foi uma vitória histórica do movimento indígena.

O nono Ministro a emitir o seu voto “pediu vistas ao processo” (ou seja, tempo para rever e investigar mais alguns aspectos), impedindo que ontem a decisão fosse concluída (em princípio, o julgamento será retomado em Janeiro). Em todo o caso, já existe uma maioria suficiente que determina a confirmação de Raposa Serra do Sol.

Comemoração, mas ainda alguns conflitos

Apesar do final do julgamento ter sido adiado, os indígenas de Raposa Serra do Sol já comemoram o resultado. “Conseguimos a nossa terra contínua! Estamos muito felizes com essa vitória. Agora, espero que o julgamento seja retomado o quanto antes”, afirmou o líder Djacir Silva, do povo Makuxi.

No entanto, a advogada Joênia Barbosa, do povo Wapichana lamentou que o Supremo não tenha mantido a suspensão da retirada dos não-índios da área. “Tememos pela segurança na área, agora que os arrozeiros sabem que terão de sair”, comentou.

A preocupação de Joênia se confirmou algumas horas após o fim do julgamento. Na comunidade do Barro, em Raposa Serra do Sol, bombas caseiras foram lançadas contra indígenas que comemoravam os votos do STF.
Mas "não vamos reagir a provocações”, afirmou Marisete de Souza, Makuxi, do Conselho Indígena de Roraima (CIR). “Vamos continuar a luta, tentando ganhar os votos que restam. Estamos tranquilos, por que já temos 8 votos. Ninguém está pensando em conflito”, garantiu.

A reacção dos arrozeiros

A reacção dos produtores à votação no STF é de revolta e de indignação. Para já, vão manter plantações na reserva e afirmam que têm esperança de que os ministros mudem os seus votos quando o julgamento for retomado.
Diz o paranaense Nelson Itikawa, que preside à associação dos arrozeiros e também está há mais de 28 anos no Estado: "O ministro Marco Aurélio vai aprofundar [o estudo do caso] e deve expor a realidade do Estado. Os ministros que já votaram podem modificar seus votos. Nada é impossível."

(ler todo o artigo)

10 de dezembro de 2008

Andava a fazer falta poesia

Reconhecimento à Loucura


Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?

Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.

José de Almada Negreiros

6 de dezembro de 2008

A história das coisas...

Estou há aaanos... para pôr este vídeo aqui no blog.
Finalmente lembrei-me de que ainda não o tinha feito! Bom, aqui está.

São 20 minutos fantásticos e que valem MESMO a pena! Não percam:




Para ver o filme com mais qualidade directamente no site, vão a http://www.storyofstuff.com/

Para ver a versão legendada em português, cliquem aqui.