16 de fevereiro de 2009

Para desanuviar

A little old lady from Wisconsin had worked in and around her family dairy farms since she was old enough to walk, with hours of hard work and little compensation.
When canned Carnation Milk became available in grocery stores in the 1940s, she read an advertisement offering $5,000 for the best slogan. The producers wanted a rhyme beginning with 'Carnation Milk is best of all."
She thought to herself, I know all about milk and dairy farms. I can do this!

She sent in her entry, and several weeks later, a black limo pulled up in front of her house.
A man got out and said, 'Carnation LOVED your entry so much, we are here to award you $2,000 even though we will not be able to use it!'



12 de fevereiro de 2009

Clark Kent ou super-homem

Reflecti recentemente sobre a questão da máscara.
Sobre o seu duplo sentido de objecto criador de uma identidade, ou instrumento para esconder a nossa verdadeira identidade.



Reparemos nas máscaras dos super-heróis da banda desenhada: ao usá-las, os super-heróis não só assumem uma identidade diferente e extra-ordinária (fora do comum), como escondem a identidade original, não podendo ser dois personagens ao mesmo tempo.
(...) As palavras pessoa e personagem têm como base etimológica a palavra persona, ‘máscara’ em grego. Ser pessoa será, então, assumir desde sempre e para sempre uma máscara? Ser-nos-á intrínseca a arte de fingir, de esconder, de assumir camadas postiças de identidade?

Hoje esta questão é mais premente do que nunca. Com efeito, é provável que poucos de nós se conheçam a si mesmo realmente. Conheçam a sua verdadeira identidade, para lá da(s) máscara(s). Para se conhecer alguém, é preciso tempo – todos sabemos isso.
Ora, como podemos nós conhecer-nos, se nunca temos tempo para estar connosco próprios? Se raramente paramos para pensar, reflectir, olhar para dentro?
(...) E haverá algo mais fundamental? É que, reparem: se eu não perceber onde se situa o meu verdadeiro eu, se não investir na construção e no aperfeiçoamento da minha verdadeira identidade, todo o investimento da minha Vida será desperdiçado, será como dedicar todas as forças a encher de água um balde furado…. No fim ficará só a casca, o invólucro em torno de uma identidade vazia.

Quero ser um balão insuflado que a qualquer momento pode rebentar e revelar a sua vacuidade? Ou quero viver na construção daquela alma divina, aquele pedaço de mim que realmente me torna único, que me distingue da massa humana que a todos parece absorver?


(...) Como nos diz Manuela Silva na sua reflexão do mês de Fevereiro (site da Fundação Betânia):

“O ser humano experimenta em si mesmo uma dupla natureza.
Reconhece-se na sua dimensão corporal, sujeito às leis da matéria e às coordenadas do ambiente em que vive. Tem fome e tem sede, calor e frio. (…) Mas, não obstante a importância desta sua condição existencial, o ser humano dá-se conta que não lhe está confinado.
(...) Matéria e espírito ou, melhor, matéria habitada pelo espírito, o ser humano aspira a ir além de si mesmo e, em condições normais, mostra-se incansável na busca de caminhos que, supostamente, lhe tragam felicidade, harmonia, paz interior, alegria de viver.
As condições de vida podem, porém, abafar esta inclinação para a transcendência e obstar a que se percorra um caminho pessoal de maturidade humana e de unificação interior.”

A maior máscara pode ser, então, o limitarmo-nos à nossa dimensão terrena, material, à mesquinhez de aspirações a ter e poder que nos são impostas, mais do que genuinamente desejadas. A maior máscara é sermos só humanos, só Clark Kent. Pois a verdadeira identidade de cada homem e cada mulher é ser um super-herói.

(do texto que escrevi para a publicação Inútil do Colégio Amor de Deus)

11 de fevereiro de 2009

Salmo 86 (tradução do latim, ou «resposta aos salmos», de Paul Claudel)


Viens, ô mon Dieu, que je Te parle à l’oreille: il n’y a que Ton oreille, ô mon Dieu, qui soit capable de me regarder.
Au-dessous de tout cela en moi, Tu vois bien qu’il y a quelque chose de saint: quelque chose de tout petit, ô mon Dieu, qui Te regarde et qui a foi.
Écoute! Quelque chose vers Toi nuit et jour en moi qui ne cesse de pousser des cris! Quelque chose vers Toi de pas fort qui essaye de se lever!
Il y a une telle soif en moi de Ta tendresse et de Ta suavité, et de tout ce que l’on m’a raconté de Ta miséricorde!
De cette oreille en Toi qu’il y a derriére l’oreille, écoute cês lévres qui s’agitent et ce long effort en moi vers Toi qui essaye de devenir une syllabe!Ma douleur pour que tu viennes à mon secour, est-ce que cela ne suffit pas, et cette épine dans ma chair comme un cri qui continue?
Que je T’entende seulement, ô mon Dieu, bouche à bouche, m’expliquer qu’il n’y a pas quelqu’un de semblable à Toi!
Quand Tu es là, ô mon Dieu, un tas de choses, il y a un tas de choses en moi qui se mettent à genoux!
A quoi est-ce que cela Te sert-il d’être si grand, puisque cela ne m’empêche pas de dire: Toi seul!
Montre-moi tout bas le chemin! Apprends-moi, aussi bas que Tu le voudras, Ton nom!
Donne-moi l’Éternité, Seigneur, pour que j’aie de quoi Te dire: Oui!



obrigada francisco

9 de fevereiro de 2009

A um amigo de para sempre



Povoamento – Dedicatória (Ruy Belo)


No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera
A minha convicção

Ser pobre é ter necessidades.
(Quantos pobres há, então, entre os ricos!)
A felicidade é não querer mais do que o que se tem.


A minha dúvida

Haverá um contrasenso, então, em querer ser feliz?


Para reflectir amanhã

Quem parece ter tudo e não querer nada, e morre de marasmo. Os que se suicidam na Suécia e que rapidamente interpretamos como vítimas da abundância e da falta de sentido de uma vida em que não há nada por que lutar.
Onde é que se situam nesta classificação? São pobres de quais necessidades? Não me respondam: "têm necessidade de ter necessidades", porque já estabeleci como convicção primeira que ter necessidades nos escraviza e empobrece. Acho que é falso esse lugar comum que precisamos de ser estimulados pelo "querer".
Mas o certo é que esta minha premissa está a mostrar-se mais polémica - mesmo dentro de mim - do que eu pensava.

8 de fevereiro de 2009

sonhos de vida comunitária


Monticiano (Toscana)

Rir é o melhor remédio

A não perder:

PORTUGAL/ITÁLIA versus EUROPA

1 de fevereiro de 2009

30 de janeiro de 2009

«As minhas rosas vermelhas e amarelas abriram-se completamente. Enquanto eu estava lá no inferno, elas foram florindo lentamente, e muitos dizem-me: "Como é que numa altura destas tu consegues pensar em flores?"»



Etty Hillesum, num campo de concentração.

27 de janeiro de 2009

25 de janeiro de 2009

Aceitar a chaga de solidão que é a nossa condição humana

Ognuno, nel profondo del suo essere, deve imparare ogni giorno ad assumere la propria solitudine.
C'è in effetti nel cuore di ognuno di noi una ferita, la piaga della propria solitudine che si rivela particolarmente nel momento dei fallimenti, ma soprattutto in quello della morte. Non si fa mai questo passo in comunità; lo si fa da soli. E ogni sofferenza, ogni tristezza, ogni forma di depressione è un saggio di questa morte, una manifestazione di questa piaga che è nel profondo del nostro essere, che fa parte della condizione umana. Perché il nostro cuore assetato d'infinito non può mai essere soddisfatto nei limiti che sono sempre segno di morte. È per questo che è costantemente insoddisfatto. Ci sono di tanto in tanto dei tocchi d'infinito nell'arte, la musica, la poesia; ci sono momenti di comunione e di amore, momenti di preghiera e di estasi, ma questi momenti sono sempre di breve durata. Si ricade subito nelle insoddisfazioni causate dai nostri propri limiti e da quelli degli altri.
Solo quando si sia scoperto che il fallimento, le depressioni, i nostri peccati stessi possono divenire offerta, materia di sacrificio e quindi porta verso l'eterno, si ritrova una certa pace. Solo quando si sia accettata la condizione umana con tutti i suoi limiti, le contraddizioni, la ricerca appassionata di felicità, e si sia scoperto che le nozze eterne verranno come un dono dopo la nostra morte, solo allora si ritrova la fiducia. (...)
Se non fuggiamo più da questa solitudine, se accettiamo questa piaga, scopriamo che attraverso questa realtà noi incontriamo Gesú Cristo. Quando smettiamo di fuggire nell'iperattività, nel rumore e nei sogni e ci fermiamo in questa ferita, incontriamo Dio. (...)
Quelli che entrano nel matrimonio credendo che la loro sete di comunione sarà così dissetata e la loro piaga guarita non saranno felici. Nello stesso modo, quelli che entrano in comunità sperando di colmare il loro vuoto, di guarire, saranno delusi. Solo se abbiamo compreso e accettato questa piaga, e se vi abbiamo scoperto la presenza dello Spirito Santo, troveremo il vero senso del matrimonio e il vero senso della comunità. Solo quando resto in piedi con tutte le mie povertà e le mie sofferenze, e cerco più di sostenere gli altri che di ripiegarmi su me stesso, solo allora posso vivere pienamente la vita comunitaria e la vita del matrimonio. Solo quando smetto di credere che gli altri siano per me un rifugio, io divento, nonostante tutte le mie ferite, fonte di conforto e di vita, e scopro la pace.

(da La comunità, Jean Vanier, pp. 225-226)
"Tudo é coincidência ou nada é coincidência. Se eu acreditasse na primeira hipótese, não conseguia viver, mas ainda não estou convencida da última"


(Etty Hillesum, 15 de Junho de 1941)

24 de janeiro de 2009

Chamem-se ingénua... mas isto deu-me esperança

Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo.
(…)

Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; (...) à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz.
Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.
Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco (...).
E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.
Barack Obama, 20 Jan '09

22 de janeiro de 2009

2008 em fotos











Cliquem aqui, aqui e aqui para ver antes de esquecer (como sempre).


18 de janeiro de 2009

O mundo é um moinho - Cartola

Não era minha intenção entrar em 2009 com um espírito nostálgico...
Mas esta música do Cartola, que de facto deve ser das mais tristes do mundo, merece mesmo ser partilhada.
E de vez em quando instala-se em mim um medo pegajoso deste refrão e preciso de o exorcizar, tornando-o público.

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés