14 de Julho de 2009

Já agora, escrevi também um artigo sobre as conclusões do seminário "Crise ética na Economia e na Política": aqui.
Escrevi um artigo sobre a encíclica Caritas in Veritate: aqui.

10 de Julho de 2009

A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente.

Caritas in Veritate, Bento XVI

9 de Julho de 2009

com as óbvias excepções

agora que a euforia passou

já posso postar sobre isto. E dizer que aos catorze anos, os passos estavam já quase todos lá. Que fixes aqueles anos, que pica!

7 de Julho de 2009

Nova encíclica defende nova ordem mundial


Bento XVI defende na sua terceira encíclica, "Caritas in Veritate" (A caridade na verdade), uma nova ordem política e financeira internacional, para governar a globalização e superar a crise em que o mundo se encontra mergulhado.

No documento, tornado público esta terça-feira, o Papa apresenta como prioridade a "reforma quer da Organização das Nações Unidas quer da arquitectura económica e financeira internacional", sentida em especial "perante o crescimento incessante da interdependência mundial", mesmo no meio de uma "recessão igualmente mundial".
(...) É sobretudo a questão financeira que merece um olhar atento neste documento, que identifica "tendência actuais para uma economia a curto, senão mesmo curtíssimo prazo" e assinala que "isto requer uma nova e profunda reflexão sobre o sentido da economia e dos seus fins, bem como uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento".

Um dado é essencial: a necessidade de trabalhar não só para que nasçam sectores ou segmentos «éticos» da economia ou das finanças, mas também para que toda a economia e as finanças sejam éticas", assinala o documento.
Bento XVI considera que os "princípios tradicionais da ética social", como a transparência, a honestidade e a responsabilidade, continuam a ter lugar nos dias de hoje para enfrentar "problemáticas do desenvolvimento neste tempo de globalização", em especial perante a crise económico-financeira.
(...) O Papa considera que todo o sistema financeiro "deve ser orientado para dar apoio a um verdadeiro desenvolvimento". "Há que considerar errada a visão de quantos pensam que a economia de mercado tenha estruturalmente necessidade duma certa quota de pobreza e subdesenvolvimento para poder funcionar do melhor modo", alerta.
Neste sentido, apela a uma regulamentação do sector capaz de impedir "especulações escandalosas", referindo que à luz da actual crise fica claro que "o progresso económico se revela fictício e danoso quando se abandona aos «prodígios» das finanças para apoiar incrementos artificiais e consumistas".

(...) Bento XVI sublinha que a actual crise veio destacar ainda mais "anomalias e problemas dramáticos" presentes no desenvolvimento económico. "Cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas", lamenta, falando ainda de "situações de miséria desumanizadora", corrupção e ilegalidade.
A encíclica (...) diz que "a convicção da exigência de autonomia para a economia, que não deve aceitar «influências» de carácter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos económicos, até mesmo de forma destrutiva".

(...) "A globalização - escreve, referindo a esta "novidade do nosso tempo" - é um fenómeno pluridimensional e polivalente, que exige ser compreendido na diversidade e unidade de todas as suas dimensões, incluindo a teológica."
Bento XVI avisa que "o processo de globalização poderia substituir as ideologias com a técnica, passando esta a ser um poder ideológico", pedindo por isso uma "formação para a responsabilidade ética no uso da técnica".
O Papa não alinha com as "atitudes fatalistas" a respeito deste fenómeno, que mostra a realidade de "uma humanidade cada vez mais interligada". Ainda assim, declara que "é preciso corrigir as suas disfunções, tantas vezes graves, que introduzem novas divisões" e fazer com que "a redistribuição da riqueza não se verifique à custa de uma redistribuição da pobreza ou até com o seu agravamento, como uma má gestão da situação actual poderia fazer-nos temer".

Ecclesia

(ler o artigo integral)

6 de Julho de 2009

insuperável - e a noite é de lua cheia

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega,
mas não lava

amizade

Chico em vinil num amplificador de válvulas, na varanda, com vinho tinto.

5 de Julho de 2009

3 de Julho de 2009

Amanhã estaremos todo o dia a falar de ética na economia e na política

(nada melhor do que este tributo como prelúdio e banda sonora)








BRUCE SPRINGSTEEN:

«As Pete and I traveled to Washington for President Obama’s inaugural celebration, the entire story of “We Shall Overcome,” how it moved from a labor movement song and, with Pete’s inspiration, had been adopted by the civil rights movement.

And that day, as we sang “This Land Is Your Land,” I looked at Pete. The first black president of the United States was seated to his right. And I thought of the incredible journey that Pete had taken. You know, my own growing up in the ’60s, a town scarred by race rioting, made that moment nearly unbelievable. And Pete had thirty extra years of struggle and real activism on his belt. He was so happy that day. It was like, Pete, you outlasted the bastards, man. You just outlasted them. It was so nice. It was so nice.

At rehearsals the day before, it was freezing. It was like fifteen degrees. And Pete was there, he had his flannel shirt on. I said, “Man, you better wear something besides that flannel shirt!” He says, “Yeah, I’ve got my long johns on under this thing.” I said—and I asked him, I said, “How do you want to approach ‘This Land Is Your Land’?” as it’d be near the end of the show. And all he said was, “Well, I know I want to sing all the verses. You know, I want to sing all the ones that Woody wrote, especially the two that get left out, you know, about private property and the relief office.” And I thought, of course, you know, that’s what Pete’s done his whole life: he sings all the verses all the time, especially the ones that we’d like to leave out of our history as a people, you know?

At some point, Pete Seeger decided he’d be a walking, singing reminder of all of America’s history. He’d be living archive of America’s music and conscience, a testament of the power of song and culture to nudge history along, to push American events towards more humane and justified ends. He would have the audacity and the courage to sing in the voice of the people. Now, despite Pete’s somewhat benign grandfatherly appearance, you know, he is a creature of a stubborn, defiant and nasty optimism. He carries—inside him, he carries a steely toughness that belies that grandfatherly facade, and it won’t let him take a step back from the things he believes in.
At ninety, he remains a stealth dagger through the heart of our country’s illusions about itself. Pete Seeger still sings all the verses all the time, and he reminds us of our immense failures, as well as shining a light towards our better angels in the horizon, where the country we’ve imagined and hold dear, we hope, awaits us. And on top of it, he never wears it on his sleeve. He’s become comfortable and casual in this immense role. He’s funny and very eccentric.
The song that—I’m going to bring Tommy out. And the song Tommy Morello and I are about to sing, I wrote it in the mid-’90s, and it started as a conversation I was having with myself. It was an attempt to regain my own moorings. And its last verse is the beautiful speech that Tom Joad whispers to his mother at the end of The Grapes of Wrath. It says, “Wherever there’s a cop beating a guy, wherever a hungry newborn baby cries, wherever there’s a fight against the blood and the hatred in the air, look for me, Mom. I’ll be there.” Well, Pete has always been there




30 de Junho de 2009

Crise Ética na Economia e na Política

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) promove um seminário sobre «Crise Ética na Economia e na Política». Esta iniciativa da CNJP será no Auditório da Estação do Metropolitano do Alto dos Moinhos (Lisboa), no próximo sábado, dia 4 de Julho.



Programa


9h30 - Abertura por D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social; Apresentação do Seminário por Alfredo Bruto da Costa, Presidente da CNJP

10h00 - «Ética e Governança (Nacional e Mundial)» por Adriano Moreira

10h40 - Pausa para café

11h00 - «Leitura Ética da Crise: Aspectos globais e nacionais»

  • Contexto mundial - José Manuel Pureza
  • Reabilitar o trabalho na economia e na sociedade - Ulisses Garrido
Moderadora: Maria do Rosário Carneiro, Vice-Presidente da CNJP

Debate

13h00 - Almoço

14h30 - «Ética, Economia e Política» por Guilherme d'Oliveira Martins

15h00 - «Paradigmas e Comportamentos, Individuais e Colectivos»

  • Sociedade civil e o exercício da cidadania - Álvaro Laborinho Lúcio
  • Exigências éticas na conservação do planeta - José Carlos Marques
Moderador: Pedro Vaz Patto, Membro da CNJP

Debate

16h45 - Pausa para café

17h00 - Conclusões por Joana Rigato, Vice-Presidente da CNJP

17h30 – Encerramento

28 de Junho de 2009

Esquerda e Direita

como quem manda saudades de longe

26 de Junho de 2009

Estarei fora e sem escrever durante uns dias .... até breve.

22 de Junho de 2009

Deseducar

Hoje vigiei a prova de aferição de matemática do 9º ano. Em vinte alunos, só um se queixou de que lhe correu mal.

Como diz a Sociedade Portuguesa de Matemática no parecer que emitiu hoje:

«Logo na pergunta 1, pede-se a média aritmética de três números: 382, 523 e 508. A facilitar ainda os cálculos, que são triviais na posse da calculadora permitida nesta prova, fornece-se a soma (1413) — é uma questão do 6.º ano de escolaridade. (...) A pergunta 6 está ao nível do 3.º ano de escolaridade. (...) Em quase todas as perguntas, os conceitos são testados com exemplos demasiado elementares. Os cálculos são todos muito simples, a equação do segundo grau é trivial, para mais sendo fornecida a fórmula resolvente, e os exemplos de geometria são demasiado directos.

(...) Não há problema algum em introduzir num exame perguntas de anos anteriores ou de grau de dificuldade baixo. O que é prejudicial é que um número exagerado de perguntas corresponda a tópicos que deveriam estar sabidos anos antes e que todas ou quase todas as perguntas tenham um grau de dificuldade muito baixo.
(...) Grande parte da matéria essencial do 9.º ano de escolaridade não foi coberta por esta prova.

(...) Tanto professores como alunos que se empenharam durante estes anos lectivos sentem-se desacompanhados e desapoiados com esta prova. O que exames deste tipo transmitem é a ideia de que não vale a pena estudar mais do que as partes triviais das matérias.

(...) Pode pensar-se que provas elementares têm a vantagem de ajudar a perceber que as questões matemáticas não são intransponíveis. Mas estabelecer patamares demasiado baixos, em vez de incentivar a mais estudo e mais conhecimento, acaba por prejudicar todos — tanto os melhores, que se sentem desincentivados, como os menos treinados, que sentem menos necessidade de trabalhar para aumentar o seu domínio das matérias. Em suma, uma prova demasiado elementar como esta não serve o progresso do ensino. Pelo contrário, cria precedentes difíceis de contrariar.


21 de Junho de 2009

Troca de cabeças - Leo Masliah

(Não liguem muito às imagens. O que vale a pena é mesmo a parte audio!)



Cambio de cabezas

X camina.
Sigue caminando.
Se topa con Z.
X dice - Hola
Z contesta - Como te va?
X dice - Mas o menos, tengo problemas
Z pregunta - Puedo ayudarte en algo?
X dice - Sí, me cambiás de cabeza?
Z contesta - Sì.
Ambos se sacan la cabeza.
Mutua entrega de cabezas:
X se coloca la cabeza que antes era de Z, y viceversa.
X dice - bueno, gracias
Z contesta - De nada
X sigue su camino y se topa con W.
W exclama - ¡Carlos!
X contesta - Andrés! Tanto tiempo!
W dice - Tanto tiempo de que?
X dice - No se
W pregunta - No me cambias de cabeza?
X contesta - No gracias, recién cambié
W pregunta - Por que lo hiciste?
X contesta - Esta cabeza me gusta más
W dice - Pero si la tenés puesta, no te la podes ver, así no podés disfrutarla
X pregunta - Y que sugerís?
W responde - Que me la cambies por la mía, así vas a poder contemplar libremente tu cabeza, con todos sus atributos
X se saca la cabeza diciendo - Ok.
Mutua entrega de cabezas.
Colocación de las mismas.
W dice - Bueno, adiós Andrés, fue un placer verte
X contesta - Estas en un error, yo soy Carlos. Andrés sos vos
W dice - Eso era antes, ahora es al revez
X dice - De ningún modo! No por darte mi cabeza voy a cederte mi identidad, ¡Que esperanza!
W dice - Vos razonas como si en lugar de haber cambiado cabezas hubiéramos cambiado cuerpos
X contesta - Pero yo por lo menos razono, vos ni si quiera eso
W dice - Es lógico, ya que tengo puesta tu estúpida cabeza
X dice - Ese insulto no me inmuta, porque esa cabeza no es la mia original, se la cambia a uno, hoy.
W exclama - ¡Entonces vos no sos Carlos!
X contesta - Claro que no! Soy Andrés
W replica - Yo me refiero a lo que eras antes de cambiar cabezas
X contesta - Eso no lo recuerdo, mi memoria quedo en la otra cabeza
W dice - Me devolvés mi cabeza? estoy incomodo así.
X se saca la cabeza diciendo - Sí, tomá, yo ya no quiero cabeza.
X sin cabeza, sigue hablando y dice - Podes usar las dos.
W queda con las dos cabezas puestas y dice - Gracias - mientras se va.
X también se va, caminando, y con el estomago va pensando - Igual, yo soy ventrílocuo...


Leo Masliah